Entenda a importância do planejamento estratégico para a empresa

O planejamento estratégico da empresa é usado para definir prioridades, concentrar foco e recursos, fortalecer as operações, assegurar que os funcionários estão trabalhando para alcançar os objetivos do negócio e avaliar e ajustar a direção da empresa em resposta a mudanças no mercado.

Ele exige um esforço disciplinado que ajuda a empresa a definir o que ela é, a quem ela atende, o que faz, por que faz e para onde vai no futuro. Seu uso correto não apenas identifica o que é necessário fazer para progredir, mas também como a liderança vai saber que foi bem-sucedido ou exige um redirecionamento.

Neste artigo você vai entender melhor a importância do planejamento estratégico para a sua empresa. Primeiro, vamos apresentar o conceito e como ele funciona. Em seguida, descrevemos os principais impactos desse processo para os negócios. Ao final do texto, abordamos alguns exemplos e resultados reais.

O que é planejamento estratégico?

O planejamento estratégico da empresa é mais do que uma atividade. Antes, é um processo de reflexão em relação ao negócio e seu direcionamento. A alta gestão da empresa deve pensar estrategicamente primeiro e, em seguida, fazer que todas as áreas estejam alinhadas e suportem seu alcance. Ele funciona melhor quando todos os envolvidos compreendem a estratégia.

O conceito de estratégia tem muitas definições, mas uma das mais úteis é a do general prussiano Carl von Clausewitz (1780-1831). Em seu livro Da Guerra, ele distingue tática e estratégia. Tática é o uso das forças em um enfrentamento. Já estratégia é o uso dos enfrentamentos para se atingir o propósito de guerra.

Podemos pensar, então, que táticas são as funções gerenciais que estabelecem a operação, enquanto a estratégia é o uso e combinação das diferentes funções do negócio para atingir os objetivos maiores da empresa, como lucrar, crescer, assumir ou manter a liderança do mercado e assim por diante.

De fato, a administração estratégica é aquela que coordena sistematicamente as diversas atividades e recursos da empresa de forma alinhada a uma mesma visão e mesma missão. Para isso dar certo, é preciso que todas as equipes, de todos os níveis, estejam cientes da missão. Apenas dessa forma será possível que, durante o trabalho do dia a dia, eles possam definir prioridades e resolver problemas que atrapalhem o alcance dos objetivos definidos na estratégia.

Para citar um exemplo conhecido, podemos comparar as missões das empresas Apple e Google. A missão da Apple é “trazer a melhor experiência em computação” para os diferentes mercados em que atua. Isso pode fazer com que os lançamentos de novos produtos não sejam tão frequentes, uma vez que cada novo produto precisa ser bem concebido e testado antes de ser lançado.

Já a missão da Google, por sua vez, “é organizar a informação do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis”. O número de produtos e aplicativos é muito maior e, em geral, são lançados em versão beta, ainda não totalmente prontos.

Como as estratégias diferentes estão bem claras para todos, ambos os modelos de negócio conseguem ser bem-sucedidos. Problemas começam a aparecer quando um funcionário com a “mentalidade Apple” (“caprichar até ficar pronto”) trabalha para um chefe com a “estratégia Google” (“quero isso para ontem”) e não sabe disso, ou vice-versa. Ou seja, ele pode estar desalinhado com a estratégia da sua empresa.

Como o planejamento estratégico da empresa funciona?

A literatura de gestão oferece diferentes teorias sobre o número de passos em que o planejamento estratégico consiste, mas todas elas têm funções semelhantes. Vamos aqui apresentar uma versão bastante útil, em sete etapas.

Avalie tendências da indústria, concorrência e clientes

Na Teoria dos Jogos, um jogo é considerado “estratégico” quando o melhor curso de ação depende do que os outros jogadores vão fazer. Por isso, o primeiro passo do planejamento estratégico é estudar o mercado no qual sua empresa está operando.

Qual o tamanho da indústria? Com que velocidade cresce? Quem são os principais concorrentes? O que estão fazendo e quanto dinheiro eles têm? Quanto cobram? Quais produtos e serviços os consumidores estão pedindo? Qual o peso de leis, regulamentos e impostos neste mercado e em que direção podem mudar?

Um bom general precisa conhecer o inimigo e o terreno.

Faça uma análise SWOT do seu negócio

SWOT é a sigla, em inglês, para Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças. Os dois primeiros aspectos incluem os pontos fortes e fracos da sua empresa, como base de clientes, posição de mercado, know how tecnológico, recursos financeiros, crédito, canais de vendas, lucratividade e assim por diante.

Oportunidades podem incluir entrar em mercados complementares, internacionalizar, fazer alianças ou aquisições, investir no desenvolvimento de um produto novo etc. Enfim, medidas e posicionamentos que implementados trarão vantagem à sua empresa.

Já as ameaças incluem rotatividade da sua força de trabalho, escassez de crédito, fluxo de caixa limitado, variação cambial, surgimento de novos concorrentes, monopólio no fornecimento de matérias primas ou tecnologias, potenciais quedas de preço e o que mais for relevante no seu segmento de atuação.

Defina sua Missão

Por que sua empresa existe? Este é o momento de responder a essa pergunta em uma frase curta, que deve ser conhecida de todos. Alguns exemplos:

  • Microsoft: “capacitar cada pessoa e organização do planeta para fazer mais”;
  • Google: “organizar a informação do mundo e torná-la mundialmente acessível e útil”;
  • Uber: “transporte tão confiável quanto água corrente, em todo lugar, para todo mundo”.

Observe que as missões dessas empresas não citam nenhum produto específico, como “carro” ou “aplicativo”. Isso acontece porque elas sabem que a tecnologia muda e produtos ficam obsoletos. O negócio da sua empresa não tem nada a ver com vender produtos e, sim, gerar valor para os clientes.

Defina as metas corporativas

Com uma perspectiva elevada sobre a missão da empresa, você está em posição de traçar metas específicas. Isso pode incluir mudanças na oferta de produtos e na cultura da empresa ou números específicos em vendas, finanças e eficiência operacional. É responder: o que precisa acontecer para fazer da sua visão a nova realidade?

Segmente para objetivos departamentais

Uma vez que você sabe para onde quer levar a empresa como um todo, é hora de entender como cada setor ou departamento vai ajudar o negócio a caminhar nessa direção. Por exemplo, um objetivo grande pode ser “melhorar o moral dos funcionários”, de forma que caberá especificamente ao RH da empresa “lançar novos benefícios aos colaboradores”, bem como “melhorar o processo de comunicação” a respeito deles.

É importante que os objetivos possam ser cumpridos ao longo de um ano (ou um pouco mais, dependendo dos prazos necessários) e que sua conclusão ou não possa ser avaliada e mensurada (falaremos mais a respeito no fim do texto).

Determine as necessidades

Pronto, você sabe tudo o que precisa ser feito. Mas quanto vai custar? Então, é a hora de agregar todas as metas e prazos em um plano centralizado, com definição de responsabilidades e do orçamento. Caso os recursos se revelem insuficientes, você pode reduzir as metas para alvos mais fáceis ou correr atrás do capital necessário para cumprir o plano completo.

Execução e monitoramento do plano estratégico

Uma vez que os objetivos estão estabelecidos e existe um plano para que estes sejam atingidos, inicia-se uma etapa de execução ou implementação. Entretanto, o trabalho de planejamento estratégico não acaba aqui.

Muitas empresas realizam grande esforço em criar um plano estratégico detalhado, mas se esquecem de monitorar se esse está sendo realizado ao longo do período. Em algumas delas, chega a haver certo descrédito, gerando a sensação de que “estamos gerando mais um plano que não será implementado”. Por isso, monitorar seu andamento, verificar se alguma condição de mercado foi radicalmente alterada ou revisar o plano periodicamente são atividades necessárias.

Quais os principais benefícios do planejamento estratégico da empresa?

Direcionar o crescimento da empresa

O planejamento ajuda o negócio a definir prioridades e manter “o olho na bola”. Concentrado em sua missão, saberá o que descartar e quando mudar. A Kodak, por exemplo, achava que seu negócio era vender filme e não capacitar as pessoas a tirarem fotos. Abriu falência e hoje é uma sombra do que já foi.

Definir um posicionamento de mercado

Sua empresa atende a quem? Ela quer ser a líder? Ou a mais lucrativa? Ou talvez uma opção para certo segmento? Entendendo melhor a própria identidade, o negócio toma melhores decisões, coerentes com a sua estratégia.

Atingir os objetivos e metas do negócio

Mesmo que sua empresa tenha muito dinheiro, não escapa da escassez do tempo. Seus funcionários e você vão se perguntar o tempo todo: qual é a prioridade? E, na dúvida, vão consultar o planejamento estratégico.

Qual a importância de fazer o planejamento estratégico anual?

O planejamento funciona melhor quando são traçados objetivos SMART — sigla que considera as iniciais em inglês para “específico”, “mensurável”, “plausível”, “relevante” e “com prazo definido”. Traçando metas a cada ano, sua empresa tem melhores chances de reavaliar processos e alcançar o que deseja.

A Goodyear no Brasil, por exemplo, tinha como objetivo aproximar os vendedores dos clientes. A decisão foi fechar os sete escritórios regionais da empresa, de modo a liberar a equipe para passar mais tempo na rua.

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Fábio Alves

Sócio-Diretor da Kimia. Consultor em Lean com projetos implantados no Brasil, Suécia, Suíça, México e Espanha. Engenheiro de Produção, CPIM.

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