Liderança lean: entenda mais sobre esse assunto

A liderança lean está mesmo dando o que falar! Como mostramos no primeiro texto de nossa série, essa é uma filosofia de gestão baseada na melhoria contínua e no foco da geração de valor para o cliente.

Publicado em 2008, o primeiro livro sobre o assunto parte da ideia de que a bem-sucedida metodologia lean das linhas de montagem da Toyota poderia ser aplicada à própria gestão, mesmo longe das fábricas.

Neste artigo, você vai aprender mais sobre um dos pilares do lean: ir ao Gemba (é claro, vamos contar o que é isso). Em seguida, veremos algumas características necessárias ao líder lean. Ao final do texto, vai entender por que adotar as atitudes dessa filosofia no seu dia a dia. Então, vamos lá?

O que é “ir ao Gemba”?

Gemba é a expressão utilizada para um termo japonês (genchi genbutsu) que significa “o lugar real” ou “o lugar de verdade”. Os detetives do Japão, por exemplo, poderiam dizer que uma cena do crime é o “gemba”, assim como um repórter de televisão japonês, quando está falando ao vivo, pode dizer que está “no gemba”.

No Lean, o ‘gemba’ é o local onde o valor é criado. Pode ser um canteiro de obras, o chão da fábrica, a área de vendas ou o local no qual o prestador de serviço interage diretamente com o cliente.

Por que ir ao Gemba é importante?

Muitos líderes dedicados a melhoria contínua se concentram em indicadores de desempenho que podem ser medidos, e com razão. Custo, ritmo de produção, taxa de defeitos e outras métricas ajudam a identificar oportunidades de melhoria e a avaliar o impacto de qualquer mudança implementada.

Existem situações, contudo, que não podem ser medidas, ou que não aparecem em relatórios ou indicadores — problemas e oportunidades que é preciso ver com os próprios olhos para se entender. Daí a importância de ir ao Gemba.

Mas apenas “ir” não basta. Muitos líderes não sabem o que procurar quando chegam lá, e acabam se concentrando nas coisas erradas. Alguns erros comuns são:

  • ir ao Gemba apenas quando existe um problema, ou quando há uma visita importante;
  • perder tempo com atividades que não vão gerar valor;
  • ignorar problemas recorrentes, detectados em visitas anteriores;
  • não dar oportunidades para funcionários e clientes falarem;
  • ter um entendimento diferente dos colegas ou chefes de departamento sobre como as coisas funcionam e quais são os principais problemas. Isso mostra que a situação real não foi, de fato, entendida.

Como ir ao Gemba de forma eficiente?

Para que possa, de fato, gerar valor ao seu negócio, uma visita ao Gemba deve seguir alguns passos. Vejamos a seguir.

Defina um objetivo

É preciso ter um objetivo que envolva aprender, descobrir e ganhar maior entendimento do processo, bem como formar um consenso sobre os problemas que estão atrapalhando a operação a ser bem-sucedida. Para isso, a visita pode ser temática, concentrando-se em um dos seguintes aspectos:

  • custo;
  • segurança;
  • atendimento ao cliente;
  • qualidade;
  • produtividade, etc.

Trace um roteiro

A rota deve seguir o mesmo caminho da geração de valor — por exemplo, da compra de matéria-prima até a entrega ao cliente. Isto ajudará a preencher as lacunas no conhecimento do processo.

Adote padrões de trabalho

Processos padronizados e documentados, sucintos e fáceis de visualizar são fundamentais para se detectar desvios.

Não se concentre em ver pessoas ocupadas

Um líder lean não quer saber se os funcionários estão “dando duro”, e sim se o processo está gerando valor. Em outras palavras, concentre-se no que a produção está oferecendo aos clientes e não se os funcionários estão se matando de trabalhar. Lembre-se de que a visita ao Gemba não tem o objetivo de avaliar o desempenho individual de funcionários, mas de suportar o processo de melhoria e resolução de problemas.

Quais são as principais características da liderança lean?

Um líder lean exerce a sua liderança a partir da base, e entende — na verdade, aprende perfeitamente como resolver os problemas. A visita ao Gemba é um elemento poderoso nesse sentido, porque coloca o líder onde a ação acontece. Assim, ele vê como cada funcionário está aplicando, ou não, os padrões de trabalho e os resultado da aplicação desses padrões. Ainda, enxerga como as equipes agem quando surge um problema, e como elas colaboram, ou não, entre si.

Para desenvolver essa liderança, o administrador precisa praticar suas habilidades de observação de modo a entender os resultados de cada processo, se os funcionários precisam de ajuda e quais atividades vão ajudar a empresa em direção ao seu propósito.

Com base no que aprende em suas constantes visitas ao Gemba, o líder vai orientar as pessoas a entender suas funções e a gerar valor para o seu cliente, e ainda atuar para que cada um entenda o seu propósito. Isso fica muito mais fácil quando esse líder conhece a fundo o que acontece em cada etapa do processo, e quais são os gaps ou desvios existentes.

Por que adotar as atitudes da liderança lean?

Armado dos princípios da liderança lean, um gestor fará melhor uso do seu tempo e ganhará informações de qualidade sobre o negócio. Além de ajudá-lo a identificar problemas e oportunidades para melhoria, a visita ao Gemba melhora o seu relacionamento com os funcionários, que apreciarão a sua atenção, respeito, perguntas e suporte.

Enfim, podemos ver que a liderança lean fomenta as habilidades de todos os colaboradores do negócio ao convidar e recompensar contribuições de funcionários, bem como ao compreender que até as menores melhorias criam grande valor ao longo do tempo.

Achou este texto interessante? CLIQUE AQUI e continue a leitura do terceiro texto da série sobre liderança lean, com foco no papel do líder em desenvolver as pessoas. Acompanhe nosso blog e compartilhe!

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Fábio Alves

Sócio-Diretor da Kimia. Consultor em Lean com projetos implantados no Brasil, Suécia, Suíça, México e Espanha. Engenheiro de Produção, CPIM.

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